Sepse – identificar e tratar!

A sepse é uma síndrome caracterizada por um conjunto de alterações graves em todo o organismo e que tem, como causa, uma infecção. A sepse era conhecida antigamente como septicemia ou “infecção no sangue. Essa definição não é totalmente correta porque a infecção não está, necessariamente, presente em todos os órgãos. Em geral, o diagnóstico infeccioso se resume a um órgão, por exemplo, pneumonia, meningite, erisipela, peritonite; mas é suficiente para causar um processo inflamatório em todo o organismo, ao que chamamos Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS). Tal síndrome pode ter causas não infecciosas, como é o caso da pancreatite aguda grave, de pós operatórios de cirurgias grandes e algumas intoxicações. Quando a SRIS tem causa infecciosa , nós a chamamos de SEPSE.

Ao longo de toda a história da Medicina, a sepse grave e o choque séptico permaneceram como condições de extrema gravidade e sem possibilidade de tratamento eficaz. O Brasil tem uma das maiores taxas de letalidade por sepse no mundo.

O objetivo a cada ano é mudar o quadro cada vez mais preocupante da incidência e mortalidade por sepse no mundo. Segundo dados levantados pela GSA (Global Sepsis Alliance), surgem a cada ano cerca de 30 milhões de novos casos no mundo. No Brasil o quadro é alarmante. Dados de estudos epidemiológicos, coordenados pelo ILAS – Instituto Latino Americano de Sepse, apontam que cerca de 30% dos leitos das unidades de terapia intensiva em nosso país são ocupados por pacientes com sepse grave; e a taxa de mortalidade pode chegar a 55% dos pacientes que apresentam sepse nas UTIs brasileiras. Na última década, a taxa de incidência da doença aumentou entre 8% e 13% em relação à década passada, sendo responsável por mais óbitos do que alguns tipos de câncer, como o de mama e o de intestino.

“Muitas são as razões desse crescimento como o envelhecimento populacional, o aumento das intervenções de alto risco e o desenvolvimento de agentes infecciosos mais virulentos e resistentes a antibióticos”, disse o Dr. Luciano Azevedo, vice-presidente do ILAS.

Como identificar?

A sepse é diagnosticada facilmente pelo encontro de pelo menos dois dos sinais abaixo:

Taquicardia: aumento dos batimentos cardíacos (acima de 90 batimentos por minuto)

Febre: aumento da temperatura acima de 38°C ou hipotermia abaixo de 36°C

Taquipnéia: aumento da frequência respiratória (acima de 20 inspirações por minuto)

Exames de laboratório, como aumento ou redução de leucócitos e acúmulo de ácido lático no organismo.

Estadiamento

Sepse, sepse grave e choque representam a evolução cronológica da mesma síndrome, e as intervenções terapêuticas precoces promovem a interrupção desse quadro tempo-dependente.

Sepse: implica a existência de um quadro infecioso com repercussões inflamatórias sistêmicas;

Sepse Grave: define um quadro de sepse com sinais de disfunção orgânica aguda como encefalopatia (agitação, confusão ou sonolência), queda da saturação de O2 ou oligúria,

Choque séptico: caracterizado pela hipotensão refratária à expansão volêmica. Os pacientes mais graves podem evoluir com falência de múltiplos órgãos, com oligúria, dispnéia, confusão mental ou coma, sangramentos, hipotensão arterial (choque) e morte

Dar início ao objetivo principal do Protocolo Sepse

O objetivo é diminuir a mortalidade associada a esta grave síndrome logo; dar início ao antimicrobiano eficaz na 1ª hora após o reconhecimento. O estudo de Kumar e colaboradores demonstrou que a cada hora de atraso na infusão do antimicrobiano, a sobrevivência dos pacientes com sepse grave diminuía em 7,6%. Se o paciente recebeu o ATM eficaz após a 1ª hora em relação à hipotensão persistente/recorrente, a sua chance de morrer na internação aumentou significativamente, em pelo menos 12%.

Assim, antecipar o reconhecimento do risco de sepse é um ponto central para a redução da mortalidade associada à sepse grave ou ao choque séptico. Reconhecer que todos os pacientes do hospital fazem parte da população de risco e desenvolver sistemas de alerta precoce, baseados nos sinais clínicos iniciais, são essenciais para que o diagnóstico da sepse ocorra antes da evolução para quadros mais graves.

Guideline 2012

Bibliografia

http://www.sepsisnet.org/

http://www.world-sepsis-day.org/

Kumar A, Roberts D, Wood KE, Light B, Parrillo JE, Sharma S, Suppes R, Feinstein D, Zanotti S, Taiberg L, Gurka D, Kumar A, Cheang M. Duration of hypotension before initiation of effective antimicrobial therapy is the critical determinant of survival in human septic shock. Crit Care Med. 2006;34:1589–1596.

Angus DC, Linde-Zwirble WT, Lidicker J, Clermont G, Carcillo J, Pinsky MR. Epidemiology of severe sepsis in the United States: analysis of incidence, outcome, and associated costs of care. Crit Care Med. 2001;29:1303–1310.

Dellinger RP, Carlet JM, Masur H, Gerlach H, Calandra T, Cohen J, Gea-Banacloche J, Keh D, Marshall JC, Parker MM, Ramsay G, Zimmerman JL, Vincent JL, Levy MM., Surviving Sepsis Campaign Management Guidelines Committee Surviving Sepsis Campaign guidelines for management of severe sepsis and septic shock. Crit Care Med. 2004;32:858–873

Editorial do site Internato Medicina – Aqui você encontra editoriais destinados a acadêmicos médicos do Brasil e do mundo. Seja também um de nossos colaboradores e nos envie notícias que devem ser compartilhadas!

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